
Hoj
e inauguro uma sessão-post dedicada à s leitoras do blog: o “Quiz Miojo”, que vai rolar toda quinta-feira com gente bacana (claro…) que mora sozinha. A começar pela Gis, uma das primeiras a pintar por aqui. Gis, ou Gislaine Quintana Marques, 38 anos, é publicitária, gaúcha, e dona do blog “Caixa de Gis”
1 Antes só do que… com um chato do meu lado.
2 Minha casa em três palavras: Pequena, aconchegante, feliz.
3 O melhor de morar só: Você bagunçar tudo e ninguém arrumar nada.
4 O pior de morar só: Você bagunçar tudo e ninguém arrumar nada.
5 O que não falta na minha geladeira: Hum, depois da dieta, sempre tem leite de baixa lactose, pão preto light e requeijão ou margarina light.
6 AntÃdotos contra a solidão: TV por assinatura (excelente também para insônia), música dançante e auto-estima em alta (aà dá pra cozinhar só pra gente, ir ao cinema sozinha, sair a rodar pela cidade, fazer qualquer coisa que vier à cabeça).
7 As três últimas coisas que comprei: 1) uma Melissa Petit Prince número 33/34 lindinha! 2) uma camiseta babylook preta que diz “Aconteça o que acontecer, continue respirandoâ€. 3) um paliteiro kitsch que é a miniatura de um vendedor de cachorro-quente (que é a cara da pessoa para quem eu dei de presente).Â
8 Quem eu adoraria levar para casa: Ah, o amor da minha vida, claro.
9 Quem jamais vai sentar no meu sofá: Eu poderia dizer o Bush, mas, na verdade, qualquer pessoa que eu não goste. Só convido pra ir na minha casa quem eu gosto muito.
10 O que ando lendo: Jornais, revistas, internet e comecei agorinha o livro “Fadas no Divã – Psicanálise nas Histórias Infantis”, de Diana e Mário Corso.
11 Minha trilha sonora do momento: “Onde brilhem os olhos seus”, CD em que a Fernanda Takai canta as músicas da Nara Leão. Já “furei†a música “Diz que fui por aÃâ€. Fico cantando alto no carro. rsrsrs
12 Uma receitinha esperta: Eu poderia dizer “Viva mais a sua vida. Ame mais, viaje mais, não deixe espaço para arrependimentos.†Mas como acho que essa pergunta é sem metáfora, vou ensinar a sobremesa mais fácil do mundo depois da Mousse de Maracujá. E o melhor: você não terá que limpar o liquidificador (rsrsrs). INGREDIENTES: 1 saquinho de suspiros, 1 lata ou caixinha de creme de leite + cerca de 3 colheres (sopa) de achocolatado. MODO DE FAZER: Reserve os suspiros numa tigela bonita que possa ir ao refrigerador. Em separado, junte o achocolatado ao creme de leite até a mistura ficar com cor de brigadeiro. Despeje como se fosse uma cobertura sobre os merengues e leve ao refrigerador (não coloque no freezer). Sirva gelada. É uma delÃcia no verão.
13 Uma frase que me move: Esta eu li quando era adolescente e até hoje me inspira. Felizes foram os dias em que eu lembrei deste pensamento e fui à luta. Odeio viver na penumbra cinzenta:
“É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se ao insucesso, do que formar fila com os pobres de espÃrito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.â€Â
Theodore Roosevelt
Valeu, Gis!
E, você, quer participar do Quiz? Diga o que achou, mande seu e-mail…
Algumas dicas do meu livro para mudar o cenário da casa
Bandanas nas almofadas
Suas almofadas são sem graça? Cubra-as com dois lenços ou bandanas, amarrados pelas pontas.
Discos na mesa
Discos antigos, de vinil, podem ir à mesa de jantar, como jogo americano. E os CDs ruins, como porta-copos. Só tome cuidado para não escandalizar algum convidado fanático pela era do vinil: meu professor de inglês passou mal quando servi um cafezinho sobre um long-play do Milton Nascimento.
Banheira-piscina
Na falta de uma banheira, comprei uma piscina de plástico. Fui a uma loja de brinquedos, procurei uma que coubesse no meu boxe, mas não tinha nenhuma montada. Pelas medidas e pela foto estampada na caixa, dava pra ter uma idéia, mas comecei a pedir à vendedora modelos cada vez menores e mais fundos. Até que ela perguntou: “Qual é a idade da criança?†Respondi: “30â€. Logo chegamos ao modelo ideal, estampado de peixes e conchas, com um metro quadrado. Coube certinho no meu boxe. A vendedora gostou tanto da idéia que disse que ia levar uma para ela também.
Decalques nas paredes
Vi em uma revista, fiz e deu certo. Aqueles decalques antigos, de soltar na água, aderem bem à parede e dão um toque especial à decoração. Colei uma seqüência de figuras de rosas, ao lado da porta de entrada, e enfeitei os interruptores de luz com desenhos de rosas menores. Também funciona em azulejos.
E, você, tem alguma dica de decoração? Me conte!
Com medo de passar seu aniversário sozinha? Seus problemas acabaram. A faca do bolo agora canta! “A pá de bolo musical da ‘Miropel’ é uma novidade e tanto para animar aniversários e festas em geral. Feita em acrÃlico, contém uma bateria com a música ‘Parabéns a você’. Quando a faca é segurada, a música toca, provocando surpresa e risos entre os convidados”, diz a nota de divulgação da novidade (à venda em lojas de festas). Kitsch no último. Nada mal para animar a comemoração –mas com os amigos. Porque passar a data querida sozinha, ninguém merece, né?
A idade de ser feliz  (Mario Quintana)
Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possÃvel sonhar e fazer planos, e ter energia bastante para realizá-los, a despeito de todas as dificuldades. Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente, e desfrutar tudo com toda intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que todo desafio é mais um convite à luta que a gente enfrenta com toda disposição de tentar algo novo, de novo e de novo, e quantas vezes for preciso.Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se presente e tem a duração do instante que passa.

Outro dia conheci a Ita Andrade, uma artista plástica que pinta sedas e mora em Paraty. Num papo de bar, daqueles em que se resume a vida entre chopes e bolinhos de arroz, ela me contou que trabalhava na industria têxtil, criando tecidos e tal. Um dia, ganhou de presente um kit para pintar seda: tintas, pincel e um retalho do tecido. Foi só experimentar a nova brincadeira, e veio a certeza: “Eu nasci para pintar seda.”E assim foi. Ita chegou a deixar os filhos com os pais para estudar a técnica na França, e se tornou uma das precursoras da pintura em seda no Brasil. Ela é quem estampou as roupas esvoaçantes da novela “O Clone”, por exemplo. Perguntei como era esse insight, esse “chamado”. “Não sei. Você sente”, ela disse. Ita me fez pensar no meu caminho até agora. Invejo quem não duvida de sua vocação. Quero ainda essa certeza visceral de que não poderia fazer outra coisa na vida senão escrever. Acredito que, em algum momento, essa questão se coloca: e você, já descobriu a que veio?
foto: eu nas dunas do Jalapão, clicada por Iara Venanzi
A foto ao lado, assinada por Eduardo Muylaert, é só uma palhinha da exposição “CaraHavana 16+1″, em cartaz (até 8 de junho) na IQ Art Gallery, no restaurante Chakras, em São Paulo. São 17 olhares de fotógrafos, artistas-plásticos, publicitários etc, sobre essa cidade que não deixa ninguém indiferente. Vale a pena ver ao vivo. O restaurante Chakras fica na rua Melo Alves, 294, telefone: (11) 3062-8813, e a entrada para a exposição é gratuita. E, pegando carona nessa CaraHavana, lembro aqui um trecho da letra de “Havana-me”, música que faz parte do show de Omara Portuondo e Maria Bethânia, que é uma delÃcia. Falando nisso, o que você pensa de Cuba nesse momento pós-Fidel? Será que as coisas por lá vão mudar?
Havana-me
(Paulo César Pinheiro e Joyce)
Havana-me/Não esqueço o teu povo em momento algum/Cubana-me/Me convida a dançar, quebra o meu jejum/Serena-me/Me lambuza de cana, tabaco, e rum/Havana-meÂ

No apartamento em que eu mais morei sozinha, pintei as paredes com tintas fortes: sala azul e amarelo, quarto laranja, escritório verde. Detalhe: eu mesma pintei! Um apartamento de 90 metros quadrados. Nem eu acredito nessa maratona. Era gostoso, depois da confusão de jornais espalhados pelo chão, rolos e roupas sujas de tinta, fazer um café e ficar namorando as paredes, como se fossem obras de arte. Só que, depois de um tempo, comecei a me sentir num cenário de Almodóvar. Cor demais. Agora, depois de oito meses num apartamento branco, já sinto falta de jogar uma tinta numa parede ou outra, para quebrar o gelo. De qualquer forma, pintar a casa é um ótimo recurso de decoração, principalmente quando os móveis não são lá essas coisas. Ultimamente ando namorando um certo roxo. Ou seria magenta? Na dúvida, descobri um serviço esperto, dentro do site das tintas Suvinil. No “Simulador de Decoração”, dá até para colocar uma foto do ambiente que você quer mudar e testar as mais diversas combinações. Então, qual será a próxima cor da sua parede?

Nesse friozinho (ao menos em Sampa),
nada como um caldo fumegante. Eis aqui uma receitinha quente -e picante! -inspirada numa canja mexicana. Você vai precisar de um abacate maduro. Parece estranho, mas fica delicioso. Até quem não gosta de guacamole aprovou. Trata-se de uma canja diferente e dramática, que eu batizei assim em homenagem à pintora Fida Kahlo. E que não tem meio termo: ame-a ou deixe-a. Tente, depois me conte.
Ingredientes (para duas pessoas):
3 dentes de alho, azeite, um pedaço de peito de frango pré-cozido e desfiado, duas pimentas dedo-de-moça, meio litro de água, dois ramos de coentro, meio abacate maduro, sal.
Faça assim: amasse o alho em uma panela funda, frite um pouco no azeite e acrescente a água, o frango desfiado, o sal, a pimenta cortadinha em rodelas (sem a metade das sementes), e um ramo de coentro picado. Deixe o caldo ferver até pegar gosto. Enquanto isso, corte o abacate em pequenas lâminas, em forma de meia-lua. Em cumbucas individuais, sirva o caldo, coberto pelas lâminas de abacate e um toque de coentro picado e rodelinhas de pimenta no centro.

Ou você vai? Ou nenhuma das duas alternativas? A minha vem almoçar comigo e quer ganhar uma bolsa prateada. Dona Lourdes é a pessoa mais fácil do mundo de agradar: coleciona corujas, bolsas, sapatos, panelas. E não é do tipo que diz: “Não precisa se incomodar com presente”. Essa semana, que eu nem consegui blogar de tão enlouquecida que estava de trabalho, ela me ligava no meio da tarde “só pra dar um oi”. Ontem, finalmente eu consegui ligar para bater um papinho mais longo e perguntar o que ela queria de presente. Então, amanhã ainda vou atrás de uma bolsa prateada bem especÃfica: “nem daquelas tipo sacola, nem como as bolsinhas de casamento”. Uma bolsa média e bonita. Ela merece! É uma amigona, e ficou mais amiga ainda depois que fui morar sozinha. Quando a mãe da gente vira visita, a conversa evolui, não? Já passamos momentos deliciosos na mesa da minha cozinha, tomando cházinho ou café. Sinto que ela gosta de se sentir visita também, embora não deixe uma loucinha na pia sem lavar, mesmo sob meus protestos. Coisa de mãe clássica. A minha é assim. E a sua, como se comporta na sua casa? A relação de vocês melhorou quando você conquistou seu espaço?
“Naquele dia fazia um azul tão lÃmpido, meu Deus, que eu me sentia perdoado para sempre não sei de quê.”
ps: apenas uma frase do Mario Quintana, no livro “Para viver com poesia”(ed Globo) , para animar o dia, porque eu estou numa segunda-feira que mais parece quinta!
Minha avo era de Almeria, na ponta da Andaluzia. Terra de mouros e ciganos. Ainda nao estive la, mas a lingua e as musicas latinas, especialmente em espanhol, me emocionam. Atualmente, me gustan mucho duas cantoras mexicanas, Lila Downs e Lhasa de Sela. Lila resgata sons e letras do folclore mexicano de um jeito superpop. Lhasa tem um Q cigano que me encanta… Aqui, ela canta “El desierto”, que diz: “A alma prende fogo quando deixa de amar…”. Beijos, bom feriado.

Em algum momento ela aparece, e não há como fugir. Morar sozinha é ter de matar a própria barata. Esse era um dos pavores de Alessandra Bourdot, uma das entrevistadas do meu livro. Ela narra um de seus encontros com a intrusa: “Apareceu uma barata no banheiro. Eu estava tomando banho, ela entrou, eu saÃ. Eu estava com xampu na cabeça e, para me acalmar, repetia em pensamento: ‘É um besouro, é um besouro’. Fechei a porta, entupi o banheiro de veneno e ela ficou lá até o dia seguinte porque meu vizinho, que me ajuda nessas horas, não estava. No dia seguinte, ele foi remover o ‘cadáver’. Mas ela passou a noite inteira ali, me assombrando. Foi horrÃvel!”, diz. Eu também tenho medo. É o único bicho que mato, por razões óbvias. O assunto é nojentinho, mas tem motivo para virar post: descobri, há pouco tempo, que a melhor coisa para matar barata não é chinelo nem veneno. É spray de secar esmalte de unhas! Mais eficiente porque paralisa a intrusa. Evita quela correria para debaixo da mesa, da cadeira. E você, tem pavor de barata? Tem pena? Como enfrenta la cucaracha?

Amanhã mudo de assunto. Ainda estou sob o efeito de Cuba. Silvana, no comentário do post abaixo, me pergunta se lá as pessoas moram sozinhas. DifÃcil. Privacidade é artigo de luxo em Cuba.Visitei um jornalista que mora só no térreo de uma casa. Ele ocupa o espaço da sala e da cozinha. No andar de cima vivem mais sete famÃlias. O espaço individual é limitado, como quase tudo na Ilha, exceto a cultura e a simpatia dos cubanos. Em outro bairro, na casa de uma amiga cubana, peguei o fim de tarde, as crianças (lindas, com trancinhas e enfeites coloridos no cabelo) brincando na rua, as mulheres de bobs e lenços na cabeça (como nos anos 50), muita gente sentada na calçada conversando. Não existe não conhecer um vizinho. Não existe não saber do problema do vizinho e tentar ajudar de alguma maneira. O “nós” é mais empregado do que o “eu”-das desbotadas frases revolucionárias como “Seguiremos adelante“, ainda impressas em muros e outdoors, aos diálogos cotidianos. Adorei bater papo sentada na calçada, coisa rara por aqui, ainda mais em São Paulo. Mudei para o prédio em que moro em setembro do ano passado, acho que vi meus vizinhos de porta umas três vezes. No dia em que cheguei de Cuba, encontrei um conhecido com a filha pequena na padaria. Eles estavam a pé e moram a cinco quadras de mim. Ofereci uma carona. “Imagine, você vai desviar do seu caminho…”. Imagine eu, pensei. Insisti, mas ele não aceitou. Se em Cuba a coletividade impera, o que pode ser “demasiado” (como eles dizem) em algumas situações, aqui muitas vezes vivemos o extremo contrário. Talvez a gente precise dosar o medo de incomodar e ser incomodado. Lembrei de pequenas delicadezas, como mandar um pedaço de bolo para a vizinha, agradecendo aquela xÃcara de açúcar emprestada… Morando só ou não, um pouco de interatividade –para dizer de um jeito atual– não faz mal a ninguém. Por que não dar um bom dia menos mecânico? Por que não ser mais pessoal?
Voltei. Mas ainda não cheguei. É um choque passar dos anos 50 aos 2000 em oito horas (de vôo). Das paredes descascadas de Havana Vieja aos prédios paulistanos, dos cadillacs rabo-de-peixe à s vans, do mar azul do Malecón (a avenida beira-mar de Havana) à marginal Tietê. Enquanto isso, um recuerdo da ilha. A canção “La Vida es un Carnaval”, que embalou meus dias por lá. Encontrei uma versão no You Tube com Célia Cruz. Pena que numa apresentação justo na Flórida. Mas dá para sentir, em letra e música, o espÃrito cubano. Después conto mais…
A vida aqui em Havana está corrida (só para mim!), já que o ritmo dos cubanos é bem tranqüilo. Mas a internet, embora lenta, tem Google e funciona. Então, vou postar algo nos nove minutos que me restam, contando que vou levar mais dois para enviar. Logo que cheguei, fui a la Bodeguita del Medio, o bar preferido do Hemingway, para tomar el legÃtimo mojito, a caipirinha cubana. Lá vai a receita, direto de Cuba:
1/2 limão espremido
1 galho de hortelã
1 colher de chá de açúcar
água com gás
1Â dose de rum Havana Club
Em um copo longo, amasse um pouco a hortelã com o limão e o açúcar, coloque a dose de rum e complete com gelo e água com gás.
ps: beba ouvindo Buena Vista Social Club, Omara Portuondo ou Marina de la Riva





