Depois de um ano e tanto, bem que o blog Miojo estava precisando de uma repaginada. Para completar, a ferramenta de comments travou, eu não sei arrumar sozinha, e fiquei me sentindo terrivelmente só, sem nenhum comentariozinho para animar… Então, estamos oficialmente em obras, voltando muito em breve, com um Miojo novo e mais saboroso. Se quiser falar comigo, escreva para rosanemiojo@gmail.com
Me aguarde!
Rumba é o nome que me veio para batizar esse caldo vermelho, feito de beterraba e cenoura, que descobri no livro “Cozinha Mexicana” (ed. Marco Zero), e cai muito bem no friozinho que anda fazendo em São Paulo. Experimente servir com uma dose de rum, num copinho de cachaça…
Rumba
Ingredientes: 1 colher (sopa) de azeite de oliva, 400 gr de cenouras cortadinhas, 150 gr de cebola picada, 1 maço de alho poró picado (apenas a parte branca), 1 dente de alho esmagado, 1 litro de caldo de galinha ou de legumes, 100 gr de beterraba cozida cortadinha, 2 colheres de coentro fresco picado (para quem gosta…), sal e pimenta do reino a gosto, 75 gr de queijo feta esfarelado
Como fazer: Refogue as cenouras, a cebola e o alho poró no azeite por 10 minutos, mexendo de vez em quando. Adicione o alho e o caldo e deixe levantar fervura. Reduza o fogo e cozinhe por 20 a 25 minutos, até que as cenouras fiquem macias. Deixe esfriar. Coloque tudo no liquidificador ou processador, com as beterrabas. Bata até que vire uma mistura homogênea. Retorne à panela, reaqueça e tempere com sal e pimenta. Sirva em tigelas individuais, salpicadas com queijo e coentro. Rende 4 a 6 porções. Se você estiver sozinho, o segredo é congelar algumas porções, ou seguir a receita cortando os ingredientes pela metade. Bom apetite!
Qual é a sopinha que vai te aquecer nesse inverno? Vamos trocar receitas?
Passei na Fnac hoje à tarde para comprar um pen drive. Impossível sair apenas com um pen drive. Há tempos eu estava a fim do novo livro do escritor amazonense Miton Hatoum, o volume de contos “A Cidade Ilhada” (Cia das Letras). É ele quem vai dividir a mesa com Chico Buarque na sétima FLIP. Depois do “Leite Derramado”, que ainda nem acabei, sentei para um café e, de repente, não estava mais numa tarde fria de São Paulo. Estava numa noite abafada de Manaus, num bordel chamado “Varandas da Eva”, onde o escritor narra sua primeira noite com uma mulher adorável e misteriosa, que ele jamais encontrou novamente… ao menos até o final do conto. Só lendo:
“Ela me ensinou a fazer tudo, todos os carinhos, sem pressa, com o saber da mulher que já amou e foi amada. Passamos a noite nessa festa, sem cochilo, e muitos risos, de só prazer. Fez coisas que davam ciúme, carícias que não se esquecem. Perguntei como ela se chamava. Ela disfarçou e disse, rindo: Meu nome? Tu não vais saber, é proibido, pecado. Meu nome é só meu. Prometo.”
Outra comprinha deliciosa foi o novo DVD da Diana Krall, “Live in Rio”, em que ela subverte a nossa eterna Garota de Ipanema e canta: “The Boy From Ipanema”.Why not? Assim, fui de Manaus ao Rio, numa tarde incerta em São Paulo. Olha uma palhinha:
A segunda-feira começou cinza… Mas sempre tem uma imagem bonita que me pega e hoje foi a desse armário megacolorido customizado pelo francês Quentin Ze Martien, que descobri no blog Lá em Casa. Tenho um aparador antigão, marrom-escuro, na minha casinha de Paraty, que espero conseguir deixar com esse pique. E por falar em casinha, eu sei-eu sei, que o Miojo anda meio sem sal, um tanto abandonado pela dona. Explico: estou numa fase de mudanças físicas, como se já não bastassem as emocionais. São tantas, que ando sonhando que estou implodindo prédios. Fácil de decifrar, para alguém que está desconstruindo uma vida cristalizada há 15 anos. Sorte que o sentimento, no sonho, é de alegria, e quando eu olho para cima, há um céu azul-anil, límpido. Acordo feliz.
Mas o fato é que, nessa fase, ando acumulando muitas chaves. Uma vez, entrevistando a Malu Mader, num papo que incluía desejos de consumo, ela me disse algo que fez muito sentido: “Quanto mais chaves você tem, mais complicada é a sua vida”. Portanto, sítios, casas de praia e afins são ótimos… quando são dos seus amigos. No meu caso eu apenas mudei de casa em Paraty, já que, vocês sabem, eu vivo lá e cá, onde além de tudo toco um resto-bar, o Che (mais uma chave!), com meu eterno namorado e pai da minha filha. Saí de uma casinha no mato, que era maravilhosa, com barulho de cachoeira, para outra na cidade, mais estruturada, para eu poder trabalhar melhor quando estiver por lá. O próximo passo é mudar de apartamento em SP, para um mais compacto, que estou procurando: se alguém souber de um apezinho fofo, num prédio sem elevador, na zona oeste, enviar proposta para este blog. A idéia é voltar a ter duas chaves: uma de SP e outra de Paraty, nada mais.
Por isso, morar sozinho é tão bom. Uma chave apenas. Mas com uma cópia com alguém de confiança… Porque quando você perde aquela única chave, aí, sim, a vida fica complicada. Histórias de quem se trancou “para fora” não faltam. Diga aí: quantas chaves você tem?
E isso é muito bom! Quem disse que os quadros têm de ser certinhos? Adorei essa parede espontânea. A gente sempre fica com medo de pendurar os quadros de um jeito desordenado. De repente, se pendurar sem pensar muito (mas pensando um pouquinho), porque espontaneidade sem bom gosto não rola, a coisa fica bem mais divertida…
Andei assim… Mas já-já estou voltando, cheia de assunto! Beijos!
Passeata de solteiros? Eu vi no UOL, na sexta-feira passada, (dia em que aconteceu a tal passeata), aquelas pessoas carregando cartazes do tipo “Solteiro, nunca mais!” e achei um pouco over. Uma garota dizia que não ia passar o Dia dos Namorados sozinha comendo pizza, nem morta. Mas quem falou e disse sobre o assunto foi a Paloma, minha parceira querida no blog Garotas de Segunda (como se não bastasse um, tenho dois para alimentar!). Deixo aqui o link para vocês pensarem no assunto. Ok, podemos ver a coisa com humor. Mas será que esse desespero todo leva a encontrar alguém que vale a pena? Você entraria nessa passeata?
Daí que ontem eu fui visitar minha amiga Ita Andrade, de Paraty, e dei com essas fotos guardadas como “idéias para a casa”, num tour que fizemos juntas pelo computador dela. Na hora, me deu vontade de postar aqui. E a Ita, que além de ter um senso estético invejável, é a generosidade em pessoa, logo cedo me passou as imagens. Olha só:
Um armário de menina, com aplicações de xícaras em découpage
Uma geladeira-jardim, feita com papel contact
Não é demais?
Hoje acordei sem voz. Fui atender o interfone, o porteiro avisava que iam retirar as telas das janelas, por causa de uma obra maldita, eu queria dizer tudo bem, ok… e a voz não saía. Pânico. Estou no meio de um trabalho que requer diversas entrevistas, por telefone ou ao vivo. Se eu ficasse sem voz, seria o fim. Tomei um coquetel inofensivo de mel, própolis e Aspirina, e voltei para a cama. Fui até meio-dia. Senti que estava levemente estressada, me cobrando demais coisas que nem são tão caras, sem contar a Didi, minha faz-tudo que faltou dois dias, e eu querendo abraçar o mundo, e dançar flamenco, e produzir um evento, e lavar toda a louça, e levar a filha na escola, e fazer maria-chiquinha nela (os dois lados do cabelo da mesma altura, senão ela reclama), mais um monte de e-mails para responder… Desencanei. Sorte que a Didi apareceu. Depois da uma da tarde, começou a dar tudo certo. Minha voz foi voltando, embora exigindo cuidados. Consegui fazer as entrevistas.
Lembrei, então, dessa música do Caetano, na voz da Gal. “Minha voz, minha vida”. Aquela que diz: “Se o amor escraviza, mas é a única libertação…”. Lembrei também de uma conversa, há alguns meses, com um técnico de som italiano. Ele me contava de como trabalha as vozes das pessoas, em estúdios de TV, para ficarem limpas, sem ruído. “A voz é a alma”, ele disse. Achei a observação curiosa, porque sempre ouvi — e acreditei –que os olhos, sim, são o espelho da alma. Mas tem a ver. Repare nas vozes das pessoas que você conhece. Tem gente que não gosta da própria voz. Tem voz que não combina com o dono. Hoje, minha voz era minha alma me dizendo: descanse um pouco, que tudo vai dar pé.
Aqui vai a Gal, numa edição do programa “Ensaio”, da TV Cultura, cantando que a voz pode ser “Meu segredo e minha revelação; minha bússola e minha desorientação”… E, no fim (que lindo!), a letra diz tudo: “É porque eu trago a vida aqui na voz…”
E a sua voz, o que diz sobre a sua alma?
Eu tinha uma fantasia: passar um fim de semana como turista em São Paulo. Uma coisa assim, sair de casa na sexta, me hospedar num hotel bacana e passar sábado e domingo visitando museus, exposições, indo a cinemas, teatros, descobrindo restaurantes e bares inéditos. Porque, morando em Sampa, muitas vezes a gente deixa passar programas ótimos, só porque estão ali na esquina. Daí que aquelas tias e primos distantes, quando vêm me visitar, acabam indo a lugares que nunca fui. Ano passado, por exemplo, deixei a exposição dos 50 anos de Bossa Nova, na Oca, para a última hora, e perdi a hora. Pois realizei um pedaço da minha fantasia escrevendo a reportagem “Turista na Cidade”, para a revista Alone que está nas bancas. Voltei ao Masp depois de um tempão e vi novos quadros, como ”O Cavaleiro”, de Salvador Dalí, uma das novidades do acervo. Pirei na Pinacoteca que, pasmem, eu nunca havia visitado! Chorei no Museu da Língua Portuguesa, ouvindo os poemas de Fernando Pessoa, Drummond e outros tantos, nas vozes de Bethânia e Chico Buarque. A língua que sempre me emociona é o espanhol. Pela primeira vez o português me tocou daquela maneira. Enfim, o resultado está na revista. E fica aqui a dica: tire um dia de turista na sua própria cidade. É uma viagem!
Foto: Jefferson Pancieri
Hoje minha mãe veio. Somos nós duas aí em cima. El tiempo passa… Hoje as comidinhas foram mais caprichadas, a pia ficou sem louça (ela não agüenta e lava até a última colherinha!), e batemos aquele papinho gostoso na cozinha. Foi também o primeiro Dia das Mães em que minha filhota escolheu um presente para mim, e insistiu que era aquilo que eu ia gostar, até o pai comprar. Acordei ganhando um par de brincos de madrepérola, com a observação dela: “Você tem uma pulseira parecida, vai combinar.” Inesquecível. Somos nós duas aí embaixo. El tiempo passa…
Feliz Dia das Mães, a quem ainda é só filho, a quem já é mãe… E um especial a Dona Lourdes, que ainda me dá um colinho dos bons até hoje. Beijo, mãe!
Recebi um e-mail tão gostoso da Antonia, uma leitora baiana, que gostaria de compartilhar:
“Bom dia, há mais ou menos uns dez meses que leio o seu blog, o que aliás, adoro, de primeira. Mas não foi por isso que resolvi escrever, e sim pra lhe dizer que dá pra sentir que você está muito mais feliz, as mudanças em sua vida foram ótimas, parabéns, muito mais sucesso, alegria e felicidade. Beijão com todo o carinho e energia da Bahia.”
Adorei o “beijão com energia da Bahia”, Antonia. Sim, acho que estou mais feliz. Embora mais ansiosa com a sobrevivência básica, digamos. A vida fica mais incerta sem um olerit todo dia 5. Mas pode ficar perigosamente mais divertida também… O que mais me chamou a atenção foi que ela diz ter sentido esse astral pelos posts do blog. Às vezes não temos a noção de como as pessoas nos vêem, ou nos lêem. E ter um retorno tão carinhoso deu uma levantada no meu dia. Sem contar que a Didi, minha empregada, saiu com uma ótima no café da manhã:
- Esse negócio de trabalhar escrevendo, escrevendo, não força muito a mente, não?
Ô, se força! Dá licença, que hoje eu preciso de muita energia da Bahia, porque vou “forçar” bastante a mente!
Muito axé no seu dia também!
Ontem foi engraçado. Fui buscar minha filha na escola e, antes, passei na padaria da esquina e comprei oito pãezinhos. Quentinhos. Cutuquei um deles, ainda no caixa. Tem coisa mais deliciosa do que beliscar um pão francês, no saquinho, saindo da padaria? Ao chegar no pátio da escola, ofereci um pedaço a Anita. Pronto. Duas amiguinhas dela também quiseram. “Me dá um pedacinho?”. A frase deu eco. Foram chegando uma, e mais uma, e mais uma… “O pedaço dela é maior! Quero outro!”, Anita reclamou. “Então eu quero mais um!”, disse a primeira, ainda de boca cheia. Sei que, dos oito pães, sobraram três. E de repente eu me senti, sei lá, na África, distribuindo comida da ajuda humanitária a crianças famintas. Isso porque eram seis da tarde, estava friozinho…
A festa dos pãezinhos me lembrou de uma padaria incrível que conheci outro dia, numa reuniãozinha de trabalho (olha que luxo!). A jornalista com quem fui encontrar sugeriu a PÃO -Padaria Artesnanal Orgânica, na Bela Cintra. O lugar tem apenas três mesinhas e um balcão-vitrine de pães, bolos e tortas de encher os olhos e dar água na boca. Entre alguns cafés e um brownie dos deuses, soube que ali tudo é feito “com farinha de trigo orgânica, sal do himalaia e amor”, como diz o site da adorável padoca. No menu, tem o francês normal ou integral, e receitas especiais, como o pão de azeitona com lavanda, ou figo seco com noz pecan. Nada mal. Agora quero voltar lá para comprar pão!
Aliás, morar sozinho sem uma padaria amiga não dá. Qual é a sua favorita? E o que tem de mais gostoso por lá?
Existem algumas fases na vida de quem mora só: aquela em que você almoça Miojo e janta Doritos (isso porque não aguenta mais pedir pizza), e a mais avançada, em que você descobre que preparar uma comidinha simples, mas bem elaborada, é um dos prazeres da vida a um. Que tal chegar em casa no final do dia e inventar, num triz, um salmão assado com manteiga e vinho branco, acompanhado de purê de ervilhas, decorado com manjericão roxo? Essas e outras receitinhas você pode aprender no curso de Gastronomia Básica em 10 Aulas Práticas, da chef Regina Bui, que acontece no simpático Recoleta Café, em Sampa. São aulas de uma hora e meia, sempre aos sábados, a partir de 16 de maio. No menu, carnes, peixes, frutos do mar, risotos, sopinhas e molhos para massas e saladas. A chef ensina também a usar e explorar somente ervas frescas como sálvia, dill, endro, tomilho, etc. Recentemente descobri o dill –divino para temperar aquela salada de minibatatas com azeite. Para mais informaçõe sobre o curso, clique aqui. E, você, está em qual fase da cozinha? O que sabe fazer de mais gostoso? Mande sua receita…
Uma garota de 25 anos me dizia, num papo de bar, que mora sozinha e sempre fica em dúvida se convida o moço para subir até o apartamento dela para um café, depois do primeiro encontro. “Parece que, se eu convidar, já estou dizendo que vou para a cama.” Que coisa mais antiguinha. Quem falou que só porque ele entra na sua casa tem de ir para a sua cama? “Só se você quiser”, falei. Fiquei pensando em como as mulheres evoluíram tanto, conquistaram sofá, controle remoto, o próprio espaço, mas às vezes ainda patinam em questões simples, de autonomia emocional. Claro que um convite para subir é, digamos, um plus. Quer dizer que o encontro foi bom. Que tudo pode acontecer. Mas você pode muito bem sugerir um café, uma saideira, o que for, e depois… Dizer boa noite, até amanhã. Ou bom dia, ao vivo, na manhã seguinte. Você é quem manda. Se achar que o melhor a fazer sob o edredon é curtir os últimos lançamentos da Fnac (como nessa deliciosa charge da Maitena) a cama –e a casa –é toda sua. Ou faz que nem uma amiga minha. Depois de muitos abraços, beijinhos e carinhos sem ter fim, ela resolveu a questão, dizendo: “Vou preparar um jantarzinho para você amanhã.” No que o moço topou, ela logo emendou: “E traga o pijama…”. Simples assim. Os dois estão morando juntos desde aquele dia. O que vocês acham? Quem convida para subir tem o domínio da situação? Ou não?…





